"(...) A Escola Profissional de Arqueologia, promovida pelos, então, IPPC (Ministério da Cultura) e GETAP (Ministério da Educação), com planos curriculares aprovados pelas duas entidades, iniciou as sua actividade em Outubro de 1990, sediada na Área Arqueológica de Freixo, usufruindo diariamente das ruínas da cidade romana de Tongobriga que ali se encontram e, também, da riqueza arqueológica Pré-Histórica, Romana, Medieval, Moderna e até dos nossos dias que região envolvente comporta(...)."
in DIAS, Lino Tavares; "ESCOLA PROFISSIONAL DE ARQUEOLOGIA (1990-2000): Experiência a conciliar formação, investigação e conservação preventiva numa escola pública" - III Seminari Arqueologia i Ensenyament Barcelona, 16-18 de novembre, 2000 Treballs d'Arqueologia, 6 (2000), pp. 116-130
Nascia assim em 1990 a Escola Profissional de Arqueologia, congregando vontades quer do Ministério da Educação quer do Ministério da Cultura.
Instalada na Área Arqueológica do Freixo, espaço de 50 hectares classificado como Monumento nacional desde 1986, a Escola vai ocupar alguns edifícios recuperados na aldeia do Freixo, agora adaptados às necessidades da formação específica aí ministrada.
Em Outubro de 1990, inicia as aulas a primeira turma da escola, do curso de Assistente de Arqueólogo.
Destinados a jovens com o 9º ano de escolaridade, este curso de 3 anos possuía 15 alunos, sendo sobretudo jovens oriundos de todo o país que agora se juntavam no Marco de Canaveses à procura de um realizar um sonho, trabalhar em arqueologia.
Todo o plano curricular foi preparado pelos elementos da escola de então, com destaque para Lino Tavares Dias, desde o início o grade mentor deste projecto, contendo componentes técnicas indispensáveis ao desempenho das tarefas de campo e laboratório específicas destes técnicos.
O primeiro corpo docente era um corpo multidisciplinar, juntando professores do ensino secundário e técnicos superiores especializados, bem como inúmeros investigadores.
Em Julho de 1993 concluía o curso esta primeira turma de 15 alunos, tendo todos eles ingressado no mercado de trabalho ou prosseguido estudos no ensino superior.
Outra etapa da escola ocorre no ano lectivo de 1994/95, quando a escola lança agora o curso de Técnico de Património Cultural - Gestão e Divulgação.
Este curso procura assim responder às novas exigências e condicionantes do lazer na sociedade contemporânea, e o papel que o Património representa no "turismo cultural".
Em 1997/98, a oferta formativa da escola volta a crescer. É então lançado o curso de Técnico de Conservação do Património Cultural, procurando assim colmatar uma lacuna existente no mercado de trabalho, a de técnicos intermédios na área da conservação e restauro de património.
Com estes três cursos a escola procurava assim abarcar todas as áreas de trabalho relacionados com o Património, nomeadamente a investigação, a preservação e conservação e a respectiva divulgação.
Desde início a mais valia da escola sempre foram formações em contexto de trabalho, realizadas sempre no âmbito de protocolos que desde 1991 a escola foi promovendo com autarquias e empresas privadas do sector, de todo o país. De Norte a Sul, os alunos passam a ter formações reais, em locais que para muitos se viriam a tornar futuro local de trabalho.
Paralelamente a escola passa a promover accções de curta duracção para formação permanente e reciclagem, que passam a ser frequentadas por técnicos portugueses e galegos, nas áreas do desenho, fotografia e topografia arqueológica, bem como inventário patrimonial.
Os projectos internacionais também desde cedo tiveram um acolhimento especial na escola. Projectos de intercâmbio como o Sócrates/Comenius e Leonardo da Vinci, foram promovidos ao longo dos vários anos, com escolas da Bélgica, Polónia, Itália, Roménia, Grécia e Espanha, com alunos a deslocarem-se a viverem experiência únicas nesses países, bem como o acolhimento no Freixo de jovens oriundos dos mesmos. Aqui um destaque muito especial para o o estágio em 2006 de 3 alunos de Conservação em Granada, mais concretamente no famoso Alhambra.
Com a frequência de um cada vez maior número de alunos, a escola teve necessidade de adquirir várias instalações, alugando diversos espaços na aldeia em edifícios recuperados, bem como de um bloco de apartamentos adaptados no sítio dos Lenteirões.
Com laboratórios, salas de informática, biblioteca e centro de recursos, a escola ainda carece de alguns espaços fundamentais, como cantina e salas de trabalho para professores e formadores.
Está ainda por cumprir aquela que é a maior ambição da escola, a instalação num edifício novo, construído de raíz, projecto existente e já aprovado mas cujo financiamento sempre falhou.
Em 2006 os cursos sofrem uma nova reformulação curricular promovida pelo Ministério da Educação a todo o ensino profissional.
Todos cursos passam a ter uma menor carga horária, passando das 3600 para as 3100 horas, além de novas disciplinas como a Educação Física.
A própria designação dos cursos é modificada, passando agora o Curso de Assistente de Conservação do Património Cultural a designar-se de Técnico de Conservação e Restauro e o de Técnico de Património Cultural-Gestão e Divulgação a designar-se de Técnico de Museografia e Gestão do Património, alterando-se em todos os cursos a componente curricular, agora mais adaptadas às realidades do mercado de trabalho, com uma forte aposta ans novas tecnologias de informação e comunicação.
Esta é a realidade da escola nos dias de hoje, uma escola dinâmica com uma formação única e já com tradição no país, que permite a esta escola ser " Uma Marca no Património".








